Revista Página22 :: ed. 31 (junho/2009)

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EDITORIAL - Um painel de possibilidades

Uma grande parede em branco e ímãs imitando os azulejos com os formatos gráficos do artista plástico brasileiro Athos Bulcão, notável por seus painéis e mosaicos: está montada a brincadeira artística para as crianças na exposição Para Ver com as Mãos, do Sesc Pompeia, em São Paulo. Ao dispor à vontade as peças na parede, elas percebem a conexão entre as unidades, enquanto o desenho de uma acaba se interligando ao de outra, formando um conjunto tão imprevisível e dinâmico quanto a imaginação que povoa a infância.

Em reportagem nesta edição, um dos entrevistados diz que as crises financeira e ambiental resultam exatamente da falta de percepção sobre a interdependência entre as peças de que o mundo e a sociedade são feitos. Assim como na intervenção das crianças, não seria preciso jogar as peças fora e produzir outras para fazer um novo desenho, mas, sim, rearranjá-las de modo que o sistema todo seja reformulado. E dê origem a um conjunto mais harmônico, capaz de satisfazer as aspirações por bem-estar e prosperidade, desde que circunscrito aos limites biofísicos e morais que o ambiente e a ética definem.

É disso que trata este número de PÁGINA22. Remodelar e aprimorar o atual sistema capitalista-democrático é possível, mais que isso, inevitável. Na apresentação da obra de Athos Bulcão às crianças, está escrito que o “des-saber” é mais difícil que o “saber”, porque temos de desaprender o que sabemos e aprender aquilo para o qual não estamos preparados. Uma vez que “sabem menos”, as crianças estariam em vantagem em relação a nós, adultos. Olhar como elas compõem os painéis pode ser um belo – e divertido – exercício para aprendermos a formar um mundo, o mundo que vamos entregar a elas.

Boa Leitura

Acesso à publicação


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