Revista Página22 :: ed. 38 (fevereiro/2010)

TEMPO - Mais que um recurso não renovável
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EDITORIAL - Slow news

Embora seja o tempo a espinha dorsal de nós mesmos e o elemento mais fundamental do mundo em que vivemos, travamos uma conflituosa e atribulada relação com ele. No lugar de “com ele”, leia-se conosco e com nosso meio.

Gigantes da tecnologia, mas pigmeus da temporalidade – como define Hélène Trocmé-Fabre, doutora em Linguística, Letras e Ciências Humanas da universidade francesa de La Rochelle –, cabe a nós refletir sobre o tempo em toda a nossa formação. Seja ela acadêmica, profissional, seja ela afetiva, humana, existencial.

Entendê-lo como a própria vida, e não como um objeto externo, quantificável, comercializável e divisível, perdido entre o excesso de informações e os estímulos e escolhas tantas vezes inúteis de uma sociedade acelerada.

A evolução tecnocientífica nos levou a um sistema de grande escala econômica e alta entropia, de sofisticada conectividade e perigosa afluência. Mas é preciso saber aonde pretendemos chegar com tudo isso. O que no fundo queremos conservar?

Assim como do fogo e da roda, não podemos mais abrir mão dos meios de comunicação e toda a sua revolução digital e ciberespacial que parece fazer o mundo dar muitas voltas por minuto. Este é o mais novo capítulo na história da espécie humana. Mas como disse um dos entrevistados desta edição, o palavrório é a melhor forma de não dizer nada. A capacidade de edição torna-se essencial, disse outro.

Em Página22, propomos uma comunicação para buscar o essencial. Para aprofundar, não para dispersar. Para assimilar, não para dissipar. O jornalismo como ferramenta de reflexão, em que a qualidade suprime os excessos. O jornalismo que se permite tempo – a si mesmo e a seus leitores. Quem sabe uma pequena inspiração para que a sociedade busque o mesmo, a sua capacidade de edição.

Boa leitura!

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