Revista Página22 :: ed. 45 (setembro/2010)

A POLÍTICA POR CONSTRUIR
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EDITORIAL - Mais que o mesmo

No momento em que fechávamos esta edição de aniversário, as pesquisas de voto indicavam vitória da candidata Dilma Rousseff já no primeiro turno e alimentavam análises sobre o que baliza as escolhas do eleitor – que estaria premiando a combinação entre estabilidade inflacionária, crescimento econômico e algumas melhorias sociais nos últimos oito anos de governo. Um voto pela continuidade, ancorado no desejo de manter essas conquistas e ainda “seguir crescendo”.

A expressão feel good factor, citada na revista The Economist, vem dizer que, no final das contas, a economia (ou o bolso) é que pesa nas decisões. Aumento de renda, de consumo e de emprego são ofertas inapeláveis. Sem dúvida, o crescimento econômico ainda é fator fundamental para a melhoria nas condições de vida em países pobres e nos emergentes, e deve ser perseguido. Mas, por si só, não é suficiente para garantir o desenvolvimento que queremos.

Assim, o debate eleitoral precisa colocar no centro das discussões variáveis que vão além do crescimento do PIB, levando em conta indicadores mais completos de bem-estar, capazes de agregar à economia uma perspectiva socioambiental. E ter a ousadia de pensar o Brasil em bem mais do que quatro anos, a fim de construir uma nação digna do século XXI, com toda a modernidade que isso sugere.

O cientista político Sérgio Abranches, em entrevista nesta edição, diagnostica um Brasil com visão ultrapassada de si próprio, ainda preso ao século XX, e que se apega ao “mais do mesmo”.

Somente uma política orientada para a sustentabilidade – como defende Página22 desde seu nascimento, há quatro anos – será capaz de imprimir dinamismo, inteligência e visão estratégica ao que já foi conquistado, e estimular a ambição saudável por um país que seja “mais que o mesmo”, fazendo jus às suas imensas potencialidades.

Boa leitura!

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