Revista Página22 :: ed. 58 (novembro/2011)

Trocando em miúdos - Os pequenos negócios começam a despertar para a sustentabilidade
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EDITORIAL - Os pequenos, inclusive

Daqui até os ecos da Conferência Rio+20, uma das expressões que mais se ouvirão nas conversas sobre desenvolvimento é economia verde “e inclusiva”. Sim, pois a tradução livre da green economy dos países ricos não exprime com clareza o imenso desafio social dos emergentes e muito menos dos países pobres – daí o adendo que busca preencher essa lacuna semântica.

Como já publicado nestas páginas há mais de três anos (edição 24), o discurso da sustentabilidade só entraria em prática desde que se projetasse para além do jet set: não se limitasse às grandes empresas e instituições e nem à sua alta diretoria, mas, sim, envolvesse a cadeia de valor e permeasse o dia a dia dos menores escalões, dos fornecedores e dos consumidores de maneira integrada, participativa e em rede.

O tema trazido pela Rio+20 serve como excelente mote para recuperar essa discussão e trabalhar em formas mais inclusivas da atividade econômica. Em um país de política tributária defeituosa, com capital concentrado em grandes corporações e onde tem poder quem opera em grande escala, os pequenos, preocupados essencialmente com a sobrevivência do próprio negócio, encontram um ambiente pouco propício a se lançar nessa nova economia – que exige inovação, mudança de processos e envolve riscos. Mas também abre oportunidades que os pequenos podem abraçar tão bem, dadas as características de dinamismo e flexibilidade.

Assim, apesar do cenário desfavorável, começam a despontar algumas iniciativas nesse sentido, envolvendo empreendedorismo, inovação e parcerias, como esta edição mostra. Para que isso avance, acreditamos que o melhor caminho é o de construção conjunta entre pequenos e grandes, e não de um movimento top-down, exigido de cima para baixo. Movimentos bottom-up, endógenos, têm muito que contribuir nesse processo coletivo.

Muito já se escreveu quando da morte de Steve Jobs, e uma das reflexões foi sobre o que diferenciava sua empresa da concorrência, em termos de inovação e criatividade. Um consultor matou a charada: “Jobs mantinha a rebeldia da empresa pequena dentro da Apple.”

Boa leitura!

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